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Coluna - Lak Lobato

Como abordar o assunto deficiência auditiva em ambiente de trabalho

23/10/2015

Você trabalha numa empresa e, para cumprir a lei de cotas, acabaram de contratar um profissional com deficiência auditiva para a sua área. E agora?

Bom, a primeira coisa que você precisa saber é que antes de uma deficiência auditiva em si, existe uma pessoa inteirinha e igual a você. E lembre-se que cada ser humano é único e que não existe uma fórmula mágica. Neste texto, pretendo apenas dar algumas dicas de convivência, já que infelizmente não aprendemos na escola a conviver com toda a diversidade humana que existe.

A primeira coisa que você deve fazer é ouvir a pessoa. Sempre sugiro que a empresa ofereça uma conversa de apresentação entre a pessoa com deficiência e a equipe com quem irá trabalhar. Nessa apresentação, ela pode falar sobre a deficiência dela e as particularidades importantes para comunicação no dia a dia. Algumas pessoas com surdez utilizam a língua de sinais, outras falam oralmente. Algumas utilizam próteses e implantes auditivos, outras não. Nessa conversa, ela pode falar sobre a condição dela. E cabe a você ouvir o que ela tem a dizer. E questionar, caso ache que faltou alguma informação necessária.

É importante que você saiba que a surdez não afeta o intelecto, que permanece preservado. Ou seja, a pessoa pode aprender qualquer coisa. Mas, nem sempre a forma como você explica será compreendida da mesma maneira que um ouvinte compreenderia. Portanto, quando precisar explicar algo pra um profissional com deficiência auditiva, observe se o meio de comunicação (verbal, gestual ou escrito) está de acordo com a compreensão dela.

Se a pessoa for oralizada – vou me ater a falar do grupo das pessoas com deficiência auditiva que são oralizadas e alfabetizadas em português, porque é a minha área – é importante que você siga algumas regras de etiqueta para falar conosco, que são:
 

  • - Fale de frente para a pessoa, sempre. A sua boca tem que ficar visível, mesmo que ela use aparelho auditivo.

  • - Fale sempre com naturalidade e numa velocidade não muito rápida. A leitura labial, por exemplo, exige menos velocidade que a compreensão auditiva.

  • - Repita se for necessário.

  • - Pergunte se a pessoa entendeu. E se você achar que não foi compreendido, peça para a pessoa repetir o que ela entendeu. Assim, você confirma se a mensagem chegou adequadamente à compreensão da pessoa.

  • - Se possível, peça as coisas por escrito, que isso evita mal-entendidos.
     

Se a pessoa usa uma prótese auditiva, necessariamente ela consegue utilizar o telefone?

Nem sempre! Pode ser que ela não consiga usar nada, pode ser que ela consiga dar apenas alguns recados básicos. E pode ser que ela consiga falar bem, mas só em condições adequadas (por exemplo, eu preciso de silêncio para falar no telefone, então é comum eu sair da sala para utilizá-lo). Ou pode ser que ela consiga utilizar normalmente. Portanto, isso varia. Pergunte para ela se ela consegue usar e se quer um ramal na mesa dela, por exemplo.

E a questão do alarme de incêndio? Se não houver possibilidade de adaptar o alarme com algum alerta visual, é sempre importante que durante um treinamento de incêndio, haja alguém disponível para avisar a pessoa que o alarme está disparado.

Mas e se ela estiver no banheiro, sem aparelho? Então, é importante que ela sempre avise aonde vai, quando sair da mesa. Nesse caso, trata-se de uma questão de sobrevivência mesmo.

Esteja aberto a conversar e questionar sobre as particularidades da deficiência da pessoa. Da mesma forma que é importante que você respeite as limitações dela. Pode ser que ela não se sinta tão confortável de falar sobre o assunto. Mas, se você questionar com naturalidade, explicando o porquê de cada dúvida e como isso acrescenta numa melhor convivência e qualidade de trabalho entre vocês, é possível inclusive que você ajude na mudança de postura dessa pessoa em relação a falar sobre o assunto.

O mais importante é que a pessoa se sinta acolhida e parte da equipe, independente da sua condição auditiva.  Um profissional com deficiência auditiva tem tanto a oferecer quanto qualquer outro profissional. Portanto, mãos à obra e acredite que torná-lo parte da sua equipe é possível.

 

Beijinhos sonoros,
Lak


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