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Coluna - Lak Lobato

Deficiência auditiva em ambiente educacional.

15/09/2015

Vira e mexe, sou abordada sobre o assunto adaptação escolar para pessoas com deficiência auditiva.

Admito que eu fujo um pouco deste tema, porque sou surda adquirida pós-lingual. O que significa que eu adquiri a linguagem antes de perder a audição, por via auditiva. Portanto, falar sobre o processo de alfabetização de crianças com deficiência auditiva foge um pouco ao meu conhecimento prático.

Ainda assim, ao longo da minha vida, eu tive oportunidade de estudar já com a deficiência auditiva instalada no meu ser e foi necessário algumas adaptações sim.

Para alguém que só usava leitura labial, o melhor teria sido se eu tivesse tido um intérprete oralista em sala de aula. A presença de alguém para me ajudar com o diálogo dos colegas ou para reforçar a fala do professor, teria tornado minha vida escolar muito menos cansativa. Eu me virava muito bem, mas provavelmente porque não tinha escolha, embora tivesse uma vontade enorme de aprender. E, aqui entre nós, eu sempre preferi aulas particulares do que em turmas grandes.

Mas, hoje em dia, que posso contar com a tecnologia quando penso em fazer um curso, sempre penso em como potencializar o uso do implante coclear para facilitar minha compreensão em sala de aula.

Em primeiro lugar, o Implante Coclear me ajuda muitíssimo quando a voz do professor não compete com mais nada. Se a sala é pequena, se a escola não fica em zona barulhenta, se os colegas de turma colaboram. Tudo isso facilita – e muito – a minha compreensão do conteúdo dado em sala de aula.
Mas, e quando nada disso ajuda?

O jeito é recorrer ao sistemas de comunicação sem fio indicados para usuários de aparelhos auditivos ou implante auditivo, seja o Sistema FM ou o Roger. Nesse caso, o professor fica com um microfone e eu encaixo um receptor no meu processador externo (nem sempre é necessário o receptor, alguns modelos tem transmissão direta do microfone com o aparelho) e a voz dele fica sobreposta a todos os outros ruídos ambientes e eu consigo ouvir com muito mais clareza o que ele diz, ao ponto de absorver com facilidade o conteúdo que ele passa oralmente.

Outras coisas também ajudam muito na vida acadêmica dos deficientes auditivos, tais como materiais de multimídia adaptados. Em outras palavras, filmes e vídeos com legenda sempre que possível!

Mas, uma coisa que confesso que eu não conhecia e descobri recentemente são as provas adaptadas. Eu sempre achei que na hora de sermos avaliados, deveríamos ter o mesmo processo pedagógico. No entanto, eu percebo que isso, muitas vezes, nos coloca em desvantagem, como foi o caso por exemplo, da minha prova de nível de idioma durante meu intercâmbio em Londres. Foi lá que eu soube que a prova poderia ser feita de forma diferenciada. Como eu dependo mais da leitura labial para a compreensão do inglês do que do português, eu poderia pedir para alguém ler de frente para mim parte da prova que era feita por áudio. Assim, além da voz, eu teria o apoio da leitura labial. Ou então, fazer a prova sem a parte do áudio e as outras partes (leitura e escrita) terem pesos diferentes para o cálculo da nota final.

O que eu quero dizer com tudo isso: que o processo pedagógico de alunos com deficiência auditiva deve ser adaptado às condições dele e não o contrário. Por mais que a gente tenha a mesma capacidade cognitiva e intelectual de um ouvinte, alguns obstáculos podem representar um enorme déficit no resultado final do nosso aprendizado. Por isso, acessibilidade e adaptações são fundamentais no processo de inclusão escolar/acadêmica. É preciso observar quais as necessidades particulares de cada aluno com deficiência auditiva e buscar alternativas adequadas para que ele esteja totalmente inserido no ambiente escolar.

Um excelente aluno poderia passar por aluno mediano, só pelo fato de não ter adaptações necessárias. E isso não deveria ocorrer! Busquemos tudo o que poderia reverter este quadro!

Beijinhos sonoros,

Lak


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