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Coluna - Lak Lobato

Eu adoro o implante coclear!

19/06/2015

Não apenas gosto de poder ouvir. Adoro que o implante coclear exista, porque é através dele que posso escutar. E eu gosto, gosto muito, de cada som que o IC me proporciona.

Escuto o barulho do mar, da chuva, do telefone tocando, atendo e falo com pessoas queridas, resolvo problemas de trabalho, resolvo a minha vida ouvindo e falando.

Mas, é importante falar uma coisa, porque as pessoas tem muita dificuldade de entender isso: implantados não são ouvintes.

Certeza que tem gente pensando que sou uma chata que nunca está satisfeita com nada. Mas, me desculpem, não se trata de um caso de insatisfação. Eu estou mais que satisfeita e agradecida por poder ouvir através do implante coclear.

Mas, ainda assim, implantados não são ouvintes!

Essa idéia de que o IC “cura” a surdez é equivocada e é um equivoco que realmente atrapalha. Desde a cirurgia!

A primeira coisa que as pessoas precisam entender é que ninguém sai da cirurgia ouvindo. Leva semanas para que tenhamos acesso aos estímulos elétricos convertidos em sons. E pouca gente tem o privilégio de sair da ativação do IC entendendo grandes coisas. A maioria estranha escutar através dele e nos primeiros dias, parece que tudo o que ouvimos é chiado, barulho incompreensível e, (até esse termo já ouvi): som de estática.

Depois do período de aprendizado, que pode ser bem demorado, podendo chegar a anos, para um implantado ter total autonomia ao telefone – o que inclusive pode nem acontecer – adivinhe: implantados continuam NÃO sendo ouvintes.

O implante coclear é uma tecnologia maravilhosa, incrível, que permite que um surdo tenha acesso aos sons. Mas ela é exatamente isso, uma tecnologia. E está reproduzindo um sentido biológico que o ser humano tem: reconhecer ondas sonoras como percepção auditiva.

Um implantado ouve bem, mas de forma um pouco mais limitada que um ouvinte comum. Começa que há frequências que o implante coclear nem capta, então é possível que algumas coisas passem despercebidos. Além disso, ele não tem a mesma capacidade que o cérebro humano, portanto, é difícil separar todos os sons com a mesma absoluta clareza que um “normouvinte”  percebe todos os sons ambientes. Além do mais, a percepção auditiva de alguém que ficou anos sem ouvir muito bem, pode ser mais lenta ou até menos afiada. Por exemplo, se eu estiver aqui escrevendo no meu blog e alguém me chamar com o tom de voz relativamente baixo e não estiver muito próxima de mim, é bem provável que meu cérebro nem perceba o chamado, ainda que eu entenda perfeitamente a voz nessa altura/distância. Outra coisa: o implante coclear depende de pilha, bateria, peças. Pode ser que alguma hora a gente fique sem tudo isso (porque acabou de acordar, porque está tomando banho, porque acabou a pilha ou pifou alguma peça) e nós voltamos ao nosso estado biológico de surdo.

Numa reunião com várias pessoas falando, os sons se fundem e pode ser que muita coisa passe despercebida. Portanto, se um implantado te pedir ajuda para entender o que estão falando, não ache que é burrice, preguiça ou má vontade. Provavelmente, é limitação do implante, que processa todas as vozes ao mesmo tempo e o som ficou confuso!

Enfim, apenas falando disso, porque é preciso realmente entender que usar o implante coclear não cura a surdez e que é preciso respeitar o fato que continuamos sendo deficientes auditivos.

 

Beijinhos sonoros,
Lak

 


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