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Coluna - Lak Lobato

Acessibilidade em sala de aula para implantados adultos

11/06/2015

Quando falamos de educação para deficientes auditivos e usuários de implante coclear, imediatamente, pensamos em educação infantil. Realmente, este assunto é muito debatido e gera várias opiniões distintas, porque o resultado do implante coclear é variável conforme o caso. E a forma de educação varia também conforme este resultado.

Mas, floreios introdutórios à parte, neste texto, quero falar de educação para implantados um pouco mais velhos. Os que já estão cursando a graduação ou níveis superiores. Porque, apesar de acharem que "adulto se vira", o fato de termos chegado neste nível educacional, não significa que já sejamos experts em lidar com acessibilidade em sala de aula.

Em parte, porque muitos de nós começaram a usar o implante relativamente tarde (conheço um monte de gente que só teve oportunidade ou indicação para o Implante Coclear bem depois dos 18 anos), já que o IC começou a estar disponível em larga escala apenas nos últimos 20 anos. E porque muita gente perde a audição já no final da idade escolar.

Enfim, quais as opções de acessibilidade nesses casos?

Primeiro de tudo, levar em consideração o aparelho que você usa. O Implante Coclear lhe dá uma boa discriminação auditiva? Você consegue entender a fala com ele ou é apenas uma referência sonora e você continua dependendo da leitura labial?

Se o Implante Coclear ajuda na discriminação auditiva, é importante que você amplie a capacidade de captação de som em sala de aula. Ou seja, que você consiga burlar os ruídos e dar destaque à voz do professor.

Se a sala tem boa acústica, se a turma é pequena e silenciosa e não tem ecos nem reverberações, talvez só o processador baste. Mas, como normalmente é difícil encontrar essas condições, vale a pena apelar para o Sistema FM ou o ROGER, ambos sistemas de transmissão sonora que ajudam muito a filtrar ruídos ambientes que atrapalham.

Outra alternativa é aceitar os intérpretes de LIBRAS que as faculdades são obrigadas a oferecer. Se você domina LIBRAS, excelente. Mas, se você não tem conhecimento na língua, muitos intérpretes também atuam como intérpretes oralistas. Que, em outras palavras, repetem oralmente o que o professor diz, porém perto de você e sem virar de costas ou andar pela sala, algo que dificulta a leitura labial e compreensão plena do que é dito durante a  aula.

Por fim, existe uma alternativa que não está disponível no Brasil, mas é usada comumente nos Estados Unidos e em países da Europa: a estenotipia.

Nesse trabalho, uma pessoa se senta ao lado do aluno e vai transcrevendo tudo o que o professor fala, quase como se criasse uma legenda em tempo real. Não apenas o aluno vai lendo na tela de estenotipia, como recebe a transcrição impressa após a aula. Infelizmente, não está disponível em universidades no Brasil, porque exige um profissional altamente qualificado, o que costuma ser caríssimo. Mas, o serviço existe sim e é usado em programas de televisão (é assim que se faz o closed caption) e em eventos e espetáculos que possuem legendagem ao vivo.

Em última instância, sempre recomendo algo que fiz durante meus tempos de faculdade (naquela época nem se ouvia falar em intérpretes, muito menos oralistas), quando eu ainda não usava IC e dependia exclusivamente da leitura labial: conversar com o professor para que ele me ajudasse de alguma forma. Eu tive professores que não se importavam de dar a aula toda sempre de frente para mim (alguns ficavam sentados  na cadeira, outros em cima da mesa). Outros me ajudavam me fornecendo resumos da aula. Outros indicavam livros com o conteúdo da matéria.

Todos, com raras exceções, estavam interessados em ensinar, independente das minhas limitações.

É claro que eu também pedia muito caderno emprestado e sentava do lado de alguém para copiar o que ele escrevia. Sou grata não apenas à boa vontade dos meus professores, como também aos meus colegas, que sempre se dispuseram a me ajudar.

É uma questão de achar uma forma do conteúdo da aula chegar até nós. E dar sempre o nosso melhor para nos desenvolver nesse sentido!

Mas, aqui entre nós, quando a tecnologia está disponível, através dos aparelhos auditivos e dos transmissores sonoros como o meu ROGER, não tenho o menor receio de abusar delas! Se o aprendizado pode ser facilitado, por que não?

 

Beijinhos sonoros,
Lak


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