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Coluna - Harry Thomas

Viajando com Implante Coclear

19/05/2016

A plaquinha é uma velha conhecida minha. Foi em algum aeroporto da belíssima Argentina que a vi pela primeira vez. Lá dizia que pessoas com Implante Coclear não precisavam passar pelo detector de metal. 

Fui operado em novembro de 2015 e essa seria minha primeira viagem internacional após estar liberado para poder pegar um avião. Parar de correr por uns três meses (devido ao impacto que a corrida gera) e não viajar de avião por quatro meses (devido a pressão), foram duas das instruções que recebi do meu médico.

Passados os tempos hábeis, eu já estava treinando para ir correr os 50K da Ultra Fiord, prova que corri dia 15 de abril. A viagem São Paulo a Punta Arenas (extremo da América do Sul) duraria 11h com escala em Santiago do Chile.

Chego ao Aeroporto, procuro a Companhia Aérea já em posse do meu cartão da MED-EL, que prova que possuo um implante (muitos confundem meu Rondo com gadget de celulares ou fones de ouvido). 

Pego a fila preferencial, não só por um direito que nos é reservado, mas pelo simples fato que os atendentes que estão nestes guichês possuem treinamento pra lidar com pessoas com deficiências (se comunicando por libras, inclusive, caso precise). 

Ao ver uma pessoa aparentemente 'normal' na fila o olhar dos demais passageiros é meio 'torto', até mesmo da atendente ao chegar no guichê. Lá chego e antes de qualquer pergunta já informo: "Sou surdo-implantado", quando então, a expressão da atendente antes amarrada vira um sorriso complacente.

Mala despachada e vamos para o embarque. O primeiro crivo é a máquina de raio X das malas de mão e a porta detectora de metal. Mesmo sabendo que não preciso passar pela porta, por ela passo só para testar se vai "apitar" devido ao implante interno. Nada acontece.

Me dirijo ao portão de embarque. Há três filas para entrar no avião: uma é dos passageiros da Primeira e Classe Executiva. Outra é do pessoal que vai ficar do meio para trás do avião e a terceira do meio para frente. Repito no balcão: "Sou Implantado e talvez não escute a chamada, onde me posicionar nessas filas?". “Aqui!”,  apontando para o primeiro lugar. Em suma:  Nós deficientes temos o direito de sermos os primeiros a embarcar, mesmo  antes da Primeira Classe.

Já em Santiago, na conexão, foi a vez de não passar pela porta detectora de metal, mostrando antes para o policial que era implantado.

A grande dica é sempre se antecipar aos atendentes e policiais dos aeroportos. Já ir logo chegando e explicando que possui Implante Coclear. Não é necessário dominar a língua do país, mas é sempre bom fazer a 'lição de casa' aprendendo uma frase ou palavra-chave como a simples: "I am deaf", e já ir logo apontando para o aparelho, e lhe garanto, a antes cara amarrada do policial vira um cortês sorriso. 

 

Boa viagem!


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