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Coluna - Diéfani Piovezan

Como é se relacionar amorosamente com um Deficiente Auditivo

09/06/2016

Tem sido assunto muito recorrente nos fóruns do Facebook perguntas sobre relacionamentos de deficientes auditivos com ouvintes. Muitos deficientes auditivos tem perguntado se os membros se relacionam com ouvintes ou com outros DAs, muitos pais preocupados tem perguntado se rola algum tipo de preconceito na hora de namorar, adolescentes que estão começando com seus rolinhos também querendo saber, as dúvidas são muitas.

Primeiramente quero deixar claro que eu, Diéfani Favareto Piovezan, nunca me relacionei com outras pessoas com deficiência auditiva. Meus relacionamentos foram única e exclusivamente com ouvintes e eu nunca tive problemas com isso. Mas entrando no clima da semana do dia dos namorados, resolvi fazer um post sobre o assunto e com alguns relatos.

É comum que o parceiro ouvinte nunca tenha se relacionado com deficientes auditivos antes e claro que rola algumas curiosidades. Luma, se relacionou com uma deficiente auditiva recentemente e disse Ah, para mim foi uma experiência nova e muito diferente. Eu nunca tinha sequer conversado com alguém que fosse deficiente auditivo, então foi algo extremamente legal para mim, aprendi diversas coisas, inclusive a conversar por leitura labial e em momento algum tratei como se fosse algo estranho ou tive receio, sempre tive curiosidade em saber mais e mais”.

Na maioria dos casos, o parceiro não vê a surdez como uma barreira ou algo de outro mundo, muitas vezes o único empecilho é falar ao telefone ou quando o parceiro não ouve algo durante uma discussão – ou finge não ouvir – “Sempre foi tudo muito natural, já conheci sabendo da surdez e no início só foi difícil me acostumar a não usar o telefone, na época não haviam smartphones e gastava bastante crédito enviando SMS. A única coisa que me irritava era quando eu queria brigar e não era ouvida [risos], isso sempre gerava uma raiva ainda maior para depois me deixar totalmente desarmada, depois do implante coclear precisei me acostumar com o fato de que a pessoa fingia não me ouvir quando eu queria brigar, o que no final era bom pois evitava brigas por bobeira” relatou Letícia.

Leandro que mora em Belo Horizonte e namora Marcos que faz faculdade em Adamantina relatou também nunca ter tido problemas com a surdez, apenas com a falta de falar ao telefone por causa da distância.  “Quando conheci o Marcos, simplesmente foi tudo natural e tranquilo. A surdez dele me deixou curioso, em como lidar com ele. Sempre ficava cutucando ele quando queria atenção e descobri que isso o irritava muito, mas sempre foi fácil para nos comunicar. A única coisa que sinto falta é falar ao telefone, já que ele mora em outra cidade. Mas a surdez dele não me assustou em momento algum. Na maioria das vezes nem lembro que ele é surdo.” Disse.

Existe ainda casos como o de Mariella, estudante de Letras de 20 anos que começou a se relacionar recentemente com alguém com deficiência auditiva, desconstruiu muitas ideias pré-concebidas sobre a surdez, tornando a experiência não apenas diferente, mas também enriquecedora. “Eu achei estranho no começo, fiquei assustada, porque na minha cabeça "ser surdo" é ter um milhão de limitações. E eu ainda acho um pouco estranho, porque não é algo do meu "cotidiano", eu nunca tinha "visto" um surdo tão de perto. Para ser honesta, surdo para mim, era sinônimo de LIBRAS e vendedores ambulantes. Ao me envolver com alguém com surdez que tem quase nenhuma limitação por isso, foi algo bem legal, a única coisa que ainda acho estranho é ter que às vezes ficar repetindo as coisas, ou não poder falar algo muito baixo, a parte de dormir sem aparelho e ficar sem ouvir nada também é estranho, mas por outro lado é bom, pois assim não me ouve roncar [risos]. Algo que acho engraçado é que sem o aparelho noto que a pessoa perde completamente a noção da altura da voz” relata.

Sendo assim, queria dizer aos leitores que são deficientes auditivos, que vocês não precisam ter receio de se relacionar com ouvintes, a relação será tão normal quanto a de dois surdos ou dois ouvintes, não há segredos. Aos pais preocupados com o que acontecerá quando seus filhos começarem a namorar, quero que fiquem tranquilos, pois como eu disse, não é um problema e além disso, hoje em dia a tecnologia ajuda a contornar quase tudo.

Além de tudo, como podem ver, a relação pode ser bastante enriquecedora e ajudar a quebrar vários tabus sobre surdez ou relacionamentos entre surdos e ouvintes. Quando duas pessoas se gostam, não existe motivos para que haja receios. O que importa é ser feliz sempre.

 

Beijos a todos 


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