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Coluna - Diéfani Piovezan

A Difícil Tarefa de Educar as Pessoas sobre a Surdez

15/03/2016

Uma das maiores dificuldades que uma pessoa com surdez  diagnosticada tardiamente enfrenta, é fazer com que as pessoas que estão ao seu redor compreendam o que está acontecendo e acreditem nisso. Para mim  a dificuldade maior está em educá-las sobre a surdez.

É comum que as pessoas que convivem com o deficiente auditivo, fiquem desacreditadas. Professores, colegas de trabalho, colegas de escola, família e todos aqueles que deveriam dar suporte,  interpretam as dificuldades de comunicação como desinteresse ou falta de atenção.

Quando não há o diagnostico de perda auditiva e sem o apoio daqueles que deveriam estar ao seu lado, é muito provável que o individuo  prorrogue a ida ao médico e acreditando que todos ao seu redor estão certos. Há casos em que as pessoas procuraram ajuda médica somente após a situação ter se tornado extremamente crítica. Se já diagnosticada, muitos passam a ter vergonha da deficiência auditiva e passam a evitar situações sociais.

Uma vez compreendida e aceita pela família e amigos próximos, começa a tarefa de ensiná-los  as necessidades do deficiente auditivo. Como por exemplo orienta-los para falar sempre de frente, não falar em  cômodos separados, mandar mensagem ao invés de ligar, pedir pra sentar na ponta de uma mesa pra conseguir acompanhar uma conversa lendo lábios. A lista é infindável e varia de acordo com o  grau de perda auditiva.

No ambiente acadêmico, vem a necessidade de educar professores e colegas sobre como lidar. Por exemplo orientar o professor para não falar enquanto está virado para o quadro, não deixar a sala completamente escura se for passar vídeos ou slides, não andar pela sala enquanto fala, reservar a cadeira da frente para que o aluno  com perda auditiva se sente e consiga acompanhara aula, pedir aos alunos para fazer silêncio para não atrapalhar aqueles que ouvem com próteses, ensina-los que atirar objetos para chamar atenção não é legal, em vez disso, toque no ombro e fale olhando diretamente.

No ambiente de trabalho tudo funciona mais ou menos da mesma forma como no ambiente acadêmico e familiar. Os colegas e superiores precisam entender que às vezes a pessoa com perda auditiva não participa de uma discussão por não ouvir, precisam aprender que em uma reunião,  precisam estar sentado em um lugar da mesa onde se possa olhar para todos e se a pessoa usa próteses, isso não significa que ela consiga acompanhar tudo, principalmente  conferências pelo telefone ou vídeo, havendo a necessidade de que alguém os atualize presencialmente.

Em todos os meios,  é preciso fazer com que as pessoas entendam que nem todo deficiente auditivo é igual. Existe aquele que é oralizado, aquele que utiliza Língua de Sinais, aquele que usa próteses. Temos  também o surdo que não se identifica com  nenhuma das opções citadas.  A diversidade é infinita, porque até mesmo quando se acha que conheceu todos os tipos de Deficiente Auditivo, aparece um que é diferente.

Algo que há muito venho tentado explicar para as pessoas é que não existe “necessidades especiais”, existe apenas necessidades. Ter uma necessidade não quer dizer  que é mais ou menos importante. A necessidade de um intérprete não é menos importante do que a necessidade de um colega que precisa de um apoio de punho para usar o seu mouse pois tem tendinite, por exemplo.

Então entramos no âmbito mais complexo e difícil ao se educar alguém sobre a deficiência auditiva, que é a de fazer com que as pessoas deixem de ver o Deficiente Auditivo/surdo como especial e passem a vê-lo como um ser humano  comum, um ser humano que poderia necessitar de apoio de punho ou para os pés mas ao invés disso precisa de um intérprete, precisa ler lábios, precisa de uma prótese auditiva.

Tornar as pessoas conscientes de que todos temos necessidades e que o fato de uma necessidade ser conhecida por todos e outras não, não as torna mais ou menos especiais é talvez a mais difícil de todas as tarefas.

 

Beijos a todos


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