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Coluna - Diéfani Piovezan

Aprendendo novos idiomas

15/01/2016

Não é novidade para os leitores da coluna e amigos, que eu morei nos EUA por muitos anos, que foi onde eu perdi minha audição completamente. Como muitos sabem, eu tenho neuropatia, então a compreensão das falas e do som, mesmo quando ainda ouvia um pouco, era de uma qualidade absurdamente baixa.

Muitos me perguntam como fiz pra aprender Inglês e Espanhol, em primeiro lugar, eu já tinha uma base de quando ouvia, mas era mais por conta de vídeo games, filmes e séries, na verdade, eu sabia um pouco de gramática e vocabulário, mas não falava coisa alguma. Também fiz aulas particulares um tempo, mas depois fiquei mais de um ano parada sem estudar.

Quando cheguei nos EUA, minha audição já estava se deteriorando, fui pra escola e lá me mandaram pras salas de aula de ESL ( English as Second Language), os professores falavam Inglês mais devagar, o que dava a chance de captar melhor a leitura labial, Antes de mais nada, eu sempre insistia para os professors das turmas ESL para repetirem inumeras vezes as palavras para que eu pudesse aprende-las. Eu repetia as palavras incansavelmente até que eles dissessem “Está certo”. Em 3 meses fui transferida para salas regulares, foi onde a tormenta começou.

Nas salas regulares, eu não conseguia entender muito bem, por causa da velocidade em que falavam, quando falei que tinha um pouco de dificuldade auditiva, me mandaram fazer exames no médico autorizado da escola, que disse que estava tudo bem mas bom, na época eu ouvia, o problema era discriminar a fala e sons.

Inglês não é um idioma muito bem articulado, o que conta na língua inglesa, é o movimento da língua, não dos lábios se alguém falar a palavra “Love” por exemplo, pode-se muito bem falar bem articulado pra Deus e o mundo compreender, ou pode nem mexer a boca direito e se o movimento da língua estiver certo, ela sai perfeita.

Foi com a ajuda de professores extremamente pacientes e prestativos, assim como excelentes amigos e vizinhos, que consegui superar os obstáculos e ir aprendendo. Todos articulavam bem pra que eu pudesse entender e captar como se falava a palavra, às vezes eu alugava meus vizinhos para que me ajudassem com pronuncia até eles dizerem “pronuncia está perfeita”.

Mas a atenção deve ser dobrada, porque não vale apenas prestar atenção no movimento dos lábios, é preciso ficar atento ao movimento da língua. Se é fácil? Não, mas não é impossível. Eu sugiro aulas com professores particulares, porque assim fica mais fácil ele prestar atenção e ajudar com a pronuncia, numa sala com vários alunos fica difícil fazer isso.

“ Ah Diéfani, mas quero fazer em uma escola porque recebe certificado”. Vá em uma escola então, mas converse com o professor e os colegas da sala de conversação, honestamente? Seria uma aventura até boa, pois assim você vai se acostumando com diferentes pessoas falando além do professor, e se acostuma também com os diferentes sotaques.

Para os surdos usuários de IC e próteses que ouvem legal, eu sugiro que assistam DVDs com legendas em inglês, isso ajuda MUITO. A receita é não ter vergonha alguma. No meu último ano da High School, decidi fazer aulas de Espanhol, que para minha sorte não é tão diferente do Português.

A professora de Espanhol era Argentina e vivia nos EUA desde muito pequena. Sempre muito paciente e atenciosa, foi extremamente fácil aprender com ela. Não só isso, o fato do ex-marido da minha mãe (na época atual) ser Uruguaio e eu ter muitos amigos de países onde se fala Espanhol, ajudou bastante.

Devo ser sincera, Espanhol não é um idioma que me agrada. Fujo dele o tanto que posso. Há dois dias retornei das minhas férias nos EUA e fiz conexão na Cidade do México. Falei Espanhol com os funcionários do aeroporto mas sempre que aparecia um que sabia Inglês, eu preferia conversar em Inglês.

Muita gente tem medo de encarar um intercambio por medo do idioma mas uma vez que estiver tudo explicado, a escola fará o que for melhor para o aluno e para que ele aproveite ao máximo a experiência e aprenda o idioma. Muitas escolas possuem professores especializados em ensinar alunos com surdez.

Como eu disse, o importante é não ter vergonha e sempre informar sobre o problema de audição. As pessoas fora do Brasil geralmente são muito mais compreensivas com deficiências e não agem como se aquilo limitasse a vida de alguém, que de fato não limita.

 

Beijos a todos.


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