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Coluna - Cris Bicudo

Minha relação com o telefone

02/07/2015

Desde criança fui incentivada a usar o telefone, naquele tempo não existia celular, Skype ou Messenger. Apenas um telefone grande e fixo na tomada !!! Lembro até hoje, que com os aparelhos auditivos analógicos, conseguia escutar aqueles barulhinhos de discagem quando colocava o meu dedinho naquele buraco de números de discagem e rodava o disco. E, durante a adolescência, ainda fixo na parede, mudou somente o modo de discagem, para tecla semelhante a uma calculadora e ainda assim, eu podia escutar os barulhos e aguardar o tom de chamada.

Durante o ginásio, após a escola, adorava ligar para minhas amigas Manoela e Joana, para comentar alguma coisa do dia, combinar algo para fim de semana e até trocar informações (mais exatamente conferir respostas) sobre a lição de casa. Muitas vezes ficava horas e horas conversando e minha mãe tinha que pedir para desligar, pois havia mais gente em casa querendo usar o telefone!!!

Na faculdade foi a mesma coisa, até o dia fatídico do zumbido e troca para aparelhos auditivos digitais. Lembro que ainda na fase inicial de adaptação, após o tratamento no hospital, o zumbido ainda persistia, porém com menos intensidade do que antes e ainda consegui recuperar um pouco da audição de ambos lados dos ouvidos. Tentei falar ao telefone algumas vezes, porém notei que quando começava a escutar a voz da pessoa, o zumbido voltava mais forte e abafava a sua fala. Um verdadeiro pesadelo para quem adorava falar ao telefone. Após mais algumas tentativas sem sucesso, comecei a pedir ajuda para minhas irmãs e meus pais, ou seja, a minha família se tornou praticamente interprete para mim!

Fiquei tão traumatizada, que fiquei quase um ano sem chegar perto do telefone, e minhas amigas da faculdade, que foram uma espécie de anjos em minha vida, me ajudaram muito! Muitas vezes a gente já deixava combinado durante as aulas os horários e na casa de “quem” iriamos fazer os trabalhos em grupo. Quando era para sair nos fins de semana, elas começaram a incluir programas “lights” como churrasco, barzinho ou restaurantes tranquilos e muitas vezes sempre combinando pelo telefone através das minhas irmãs.

 No último ano da faculdade, foi quando conheci meu namorado que era de Curitiba e eu ainda morava em SP. Era início do namoro, enquanto estávamos nos conhecendo, falávamos ao telefone, porém com a ajuda da Marcia que escutava junto ao meu lado e mexia os lábios traduzindo exatamente o que meu namorado dizia e eu somente respondia. Conforme ia me sentindo mais segura, notei que o zumbido tinha sumido completamente e comecei a prestar mais atenção ao que ele dizia e descobri que tudo era questão de adaptação e aos poucos eu ia me acostumando com a voz e o jeito dele de falar ao telefone. No entanto, lembrei de uma ocasião que dei muita risada... ele me ligou no meio da tarde de surpresa para dar um “oi”, mas a Marcia tinha saído, então chamei a arrumadeira que trabalhava na minha casa para me ajudar. Ela já tinha visto o esquema e achou divertido, porém, ela não sabia falar “sem soltar a voz” e acabou saindo um sopro baixinho dela “ele disse que você é linda”!! Na hora ele percebeu que tinha alguém ao meu lado!!! E ficou mais tímido, mas depois, ao encontrá-lo, contei a verdade! Ele só deu risada. Depois fiquei mais à vontade para falar sozinha, sem ajuda de ninguém. E não somente com ele, mas com várias outras pessoas próximas, como meus pais, irmãs e amigas.

Hoje, infelizmente com o surgimento (e aumento de uso) de Messenger, Skype, internet, celulares, WhatsApp e todos meios de comunicação por escrito, fui deixando de falar ao telefone. Como tudo na vida tem dois lados, o bom e o ruim, assim ocorreu com a tecnologia. Se por um lado, facilitou a minha comunicação por escrita para várias pessoas (inclusive para quem não me conhece), por outro lado, desacostumei a falar ao telefone (que hoje tenho maior dificuldade e é a única limitação da minha vida).

O melhor de tudo, é que nada muda para mim desde a época da faculdade, pois o importante é ter jogo de cintura. Sempre que necessário, algumas vezes mando mensagem, outras ligo, chamo no Facetime, as vezes peço ajuda a alguém... enfim, conforme cada situação e momento, tento determinados tipos de meios de comunicação. Mais importante ainda para mim, é ter aquelas pessoas que me entendem e que querem participar em minha vida por meios de mensagens ou vídeos. 


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