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Coluna - Cris Bicudo

Aparelhos auditivos e leitura labial

26/05/2015

Algumas pessoas têm me perguntado se realmente escuto bem com os aparelhos auditivos ou somente faço leitura labial.

Assim sendo, gostaria de explicar melhor aos leitores. Uso aparelhos auditivos desde 1 ano e meio de idade, pois tenho perda auditiva severa/profunda. Sim, com o uso dos aparelhos auditivos, realmente entendo bem as falas das pessoas e escuto todos tipos de ruídos a minha volta. Sem eles, eu fico num silencio total.

Nos textos mais antigos da minha coluna relato muito sobre as minhas histórias dos médicos, minha família e, assim, poderão ver que tudo é possível. Uso aparelhos auditivos desde um ano e meio, recebi diversos estímulos sonoros e aprendi a discriminar os sons sem ler os lábios, desde criança. A questão da leitura labial foi uma consequência natural no decorrer da minha vida. E por isso, sei ler lábios muito bem também e hoje, em consequência do que passei na época da faculdade (zumbidos nos ouvidos), uso esse recurso como reforço. Também, me divirto com leitura labial em diversas situações!

Novamente, reforço aqui, que depende de cada caso. Já conheci uma pessoa que perdeu audição na fase adulta, que usa aparelhos auditivos, mas não tem pratica nenhuma em leitura labial e queria saber onde aprendi.

A verdade, é que eu adoro ouvir!!! Realmente tenho necessidade de estar com aparelhos auditivos desde a hora de acordar até ir deitar. Não me imagino ficar dependendo somente da leitura labial, pois mesmo dominando essa técnica, sinto falta de ouvir a voz das pessoas falando, barulho de campainha, telefone tocando, batidas de portas, latidos de cachorros, etc. Só é ruim quando as vezes surgem zumbidos junto, pois dificulta a discriminação e clareza da fala, por isso que a leitura labial é somente um reforço. Especialmente em ambientes barulhentos.

Sem dúvida que tiro proveito da leitura labial quando quero “ouvir” o que uma pessoa está dizendo de longe, na TV quando a censura tira o som, quando quero falar algo em segredo com uma amiga (que também sabe leitura labial) e várias outras situações. Algumas delas também conto no meu (futuro) livro.

No entanto, o valor de ensinar uma criança a ouvir e discriminar os sons, sem deixá-la olhar para a boca da pessoa que estiver falando é uma grande conquista, pois foi dessa forma que realmente fui introduzida no mundo dos sons e de fato, aprende a OUVIR. Um bom exemplo aconteceu na época da faculdade, quando eu usava aparelhos auditivos analógicos, que eram bem potentes e tinham um pequeno controle de volume. Com eles eu conseguia anotar todas as explicações que eram dadas em aulas e depois emprestava para minhas amigas, todas ouvintes !!!!

Inclusive, eu falava ao telefone com qualquer pessoa sem nenhuma dificuldade. Claro que as vezes sinto falta dessa fase, de antes do meu problema com zumbido, que aconteceu no penúltimo ano do curso de jornalismo, que relato no texto: Meus anos de ouro na Faculdade.

No entanto, a vida segue e tenho somente a agradecer a tudo de bom que tenho na minha vida, como família e amigos, mas principalmente por ainda ter a possibilidade de continuar a escutar com os aparelhos auditivos. 


1 COMENTÁRIO

Ricardo

Você é uma inspiração. Sei disso pelo pouco tempo que te conheço. Parabens pelos textos e coragem de se abrir.

CRIS BICUDO:
Obrigada Ricardo! Fiquei muito feliz com seu comentário. Um beijo


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