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Coluna - Cris Bicudo

Eu, no táxi

16/04/2015

Nesta coluna contarei alguns episódios que ocorreram comigo ao pegar taxis. Desde criança sempre fui comunicativa e interagia com todos. Portanto, quando me encontrava em fila de algum supermercado, banco, na sala de espera de algum consultório, sempre trocava algumas palavras e sempre cumprimentava as pessoas que encontrava.

E com os taxistas, não era diferente.

Apresento aqui alguns acontecimentos inusitados e as perguntas que taxistas me fizeram:

-) De Higienopolis ao Memorial da América Latina para um evento. Eu estava sentada no banco de trás, informei o destino e após alguns minutos no trânsito, o taxista começou a bater papo comigo:

---- A senhora trabalha lá?

---- Não, vou apenas participar de um evento sobre acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiências.

E já me preparei para a próxima pergunta....

----- A senhora é americana?

Entre divertida e com humor, respondi:

----- Sou uma autêntica paulistana!!! Imagino que devo dar impressão de ser estrangeira pelo sotaque, sendo que na verdade sou deficiente auditiva e uso aparelhos para ouvir.

Pude ver pelo espelho retrovisor a surpresa do taxista e quando ele explicou, foi a minha vez de ficar surpresa pela coincidência:

------ Minha esposa também é deficiente auditiva!!! Ela perdeu audição na adolescência....

E assim, a nossa conversa foi se desenvolvendo até o destino. Contei a ele minha história e entreguei a ele o meu cartão com o link da minha coluna, para mostrar à sua mulher. E na saída ele agradeceu e complementou:

------ Virei seu fã! Pois você fala muito bem!

 

-) Em outra ocasião, noite do meu aniversário há dois anos, fiz uma reunião na casa do meu pai e fui para lá de taxi.

Depois de falar o endereço, o taxista fez “positivo” com a mão. Fiquei em dúvida se ele realmente havia compreendido o que eu tinha falado ou se ele percebeu de que eu era deficiente auditiva...

Mas resolvi aguardar e ver o caminho que ele ia fazer. Antes que virasse à esquerda e fosse dar uma volta longa, perguntei se ele poderia seguir por outro caminho atravessando a Paulista, que teria menos trânsito. De novo o “positivo” com a mão.

Ai resolvi abrir o jogo dizendo:

----- O senhor percebeu logo de que eu era deficiente auditiva?

Foi então que ele ficou mais curioso a meu respeito e fez sinal negativo com a mão. Em seguida, vi ele pegar um aparelho eletrônico e encostou na garganta dele:

------ Eu tenho voz eletrônica. Não sabia que você não ouvia!? Dá para entender tudo que você fala.

Podem imaginar a minha surpresa!!! Eu, que uso aparelhos auditivos para ouvir e o taxista que usa aparelho eletrônico para falar, uma situação bem incomum!!!!

Expliquei que, com uso dos aparelhos, eu conseguia ouvir o que as pessoas falavam e em seguida contei um breve resumo da minha história. O taxista ficou tão curioso a meu respeito, que não parava de fazer perguntas entre as paradas nos sinais vermelhos e ainda se virava em minha direção com o aparelho na garganta. Achei ele muito gentil porém, deu nervoso, com receio de que ele batesse o carro kkkkk. Enfim, foi uma noite bem interessante e logo cheguei à casa do meu pai para minha festa!

 

-) Final do ano passado, a caminho do aeroporto de Guarulhos para passar réveillon na Bahia.

O taxista desceu do carro para me ajudar com as malas. Agradeci e entrei, informando o destino. Após alguns minutos, eu já estava imaginando a pergunta que a maioria deles me fazem:

------- A senhora é daqui (de SP) mesmo?!?

------- Sim, sou paulistana e.... (narro resumidamente minha história).

------- Que maravilha! E a senhora trabalha?

------- Sou formada em jornalismo, trabalho com comunicação e em breve publicarei a minha Biografia.       

------- Oba! Quero ler seu livro!!! Quando vai ser lançado?

------- Se Deus quiser, logo no ano que vem, em 2015!

Foi o mais simpático que já conversei e falamos sobre vários outros assuntos inclusive política, a respeito do qual ele até argumentou:

------- Se a senhora entrar para política, já tem o meu voto!!!!

Dei muita risada e minha resposta não podia ser outra: “tudo é possível”!

Aguarde a próxima coluna, com outras aventuras J

Ah e se for beber, pegue um taxi !!!


4 COMENTÁRIOS

jaqueline

Parabéns cris Gostei muito,espero que logo vem um livro beijos jaque filha da Nice!!!

CRIS BICUDO:
Olá Jaqueline! Que legal saber que gostou! Quando o livro estiver pronto avisarei ok. Obrigada pelo comentário! Beijos


Alair Favoreto

Cris, parabéns pelo texto, como sempre muito agradável de ler, emocionante os relatos. Leitura leve, tornando divertida situações cotidianas. Beijos

CRIS BICUDO:
Obrigada Alair! Adorei seu comentário e fico feliz!!! Beijos


Laura

divertido

CRIS BICUDO:
:) Sempre é bom olhar a vida de forma leve e divertida! Obrigada!!!


Luciana

Olá. Vc usa os Ap de qual marca? Vc entende tudo pq os Ap são bons o suficiente para suprir sua perda ou lê os lábios? Obrigada. Luciana

CRIS BICUDO:
Olá Luciana, tudo bem? Atualmente uso aparelhos auditivos da Phonak, o Naída S pois tenho perda auditiva severa/profunda. Sim, com o uso dos aparelhos auditivos realmente entendo bem as falas das pessoas e escuto todos tipos de ruídos a minha volta. Sem eles, eu fico num silencio total. Nos textos mais antigos da minha coluna relato muito sobre as minhas histórias dos médicos, minha família e assim, poderá ver que tudo é possível. Uso aparelhos auditivos desde um ano e meio, recebi diversos estímulos sonoros e aprendi a discriminar os sons sem ler os lábios desde criança. A questão da leitura labial foi uma consequência natural ao decorrer da minha vida. E por isso, sei ler lábios muito bem tbm e hoje, em consequência do que passei na época da faculdade (zumbidos nos ouvidos), uso como reforço, e assim como tbm me divirto com leitura labial em diversas situações :)


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