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Coluna - Cris Bicudo

Português, minha língua materna!

13/10/2014

 

Algumas pessoas acham que deficiência auditiva é sinônimo de língua de sinais (libras). A verdade é, como expliquei no post do mês de Agosto, “cada caso é um...”. Hoje, com o advento do implante coclear, novas tecnologias e avanços na medicina, muitas coisas mudaram e evoluíram. Sem dúvida que é um longo caminho, pois ainda falta muita coisa para que o termo deficiente auditivo possibilite uma pessoa a compreender e acreditar que é possível escutar e falar bem sua língua materna, com aparelhos auditivos ou implante coclear.

Vejo o meu caso, como deficiente auditiva de nascença com perda profunda, tive a chance de iniciar a reabilitação desde cedo, com 1 ano e meio. Com acompanhamento de uma boa fonoaudióloga e envolvimento de toda minha família e amigos a minha entrada precoce no mundo dos ouvintes me possibilitou ser o que sou hoje: escuto e falo bem o português, com o uso de aparelhos auditivos.

Desde criança sou apaixonada por livros. Gostava de ler várias coisas como revistas em quadrinhos, livros de todos os gêneros: aventura, policial, romance, histórico e até mesmo enciclopédia. Esse último, se deve graças a minha querida avó materna, que me contava histórias lindas com personagens reais.

Valorizo muito a gramática, falar bem o português, assim como escrever corretamente. Até hoje, de vez em quando, corrijo amigos e família quando vejo algum erro ortográfico. Tudo se deve a muito treino, muito esforço e principalmente muito estudo! Assim como qualquer aluno, tive que estudar bastante e o mais engraçado é o fato de que as matérias que eu mais tinha dificuldade eram as de matemática, física e química.

As aulas que mais gostava eram de história, literatura e português. E não foi à toa que escolhi o curso de Comunicação Social – Jornalismo no vestibular. O português é a minha língua materna antes de qualquer outra.

Já passei por diversas situações delicadas. Uma delas foi ao ser apresentada a um interprete de libras. Essa pessoa, apesar de saber que eu era oralizada e que entendia muito bem a língua portuguesa falada, conversava comigo por meio de libras. De início, pensei que ele não tinha entendido, portanto expliquei novamente com toda calma, que não havia necessidade de falar em libras, sendo eu oralizada e ouvindo com aparelhos auditivos. Assim mesmo nada mudou, e eu achei falta de respeito dessa pessoa para comigo. Acredito que num mundo globalizado, há espaço para todos!

Esta semana li um post numa rede social, não sei quem foi o autor, mas gostei muito e copiei aqui: “Um homem estava colocando flores no túmulo de sua esposa, quando viu um chinês colocando um prato de arroz no túmulo vizinho. O homem foi até o chinês e lhe perguntou, levemente zombeteiro:” Desculpe-me senhor. O senhor realmente acredita que o defunto virá comer o arroz?”. “Sim”, respondeu o chinês, “quando o seu ente querido vier cheirar as flores”. Moral: Respeite as opções alheias, é uma das maiores virtudes que um ser humano possa ter. As pessoas são diferentes, por isso, pensam e agem de forma diferente. Não julgues... só entenda. “

Dou valor ao respeito ao próximo, seja qual for a sua escolha e o importante é sempre procurar entender e conhecer a sua história.


2 COMENTÁRIOS

Marcia Arantes

Muito boa a história das flores! Aceitar a diversidade é a grande questão. Parabéns por partilhar suas experiências, é generosa sua atitude. Convido-a a visitar meu blog educaeaquestao.com , dirigido a pais e educadores.O respeito à subjetividade está na base de nossos textos. Abraço, Marcia

CRIS BICUDO:
Obrigada Marcia, gostei muito do que escreveu. Vi o seu blog e achei muito interessante, principalmente os assuntos de respeito à subjetividade e a questão da família. Acredito que são assuntos importantes para a formação de um ser humano. É uma leitura bem gostosa e de fácil compreensão. Obrigada tbm por compartilhar comigo. O que precisar, pode contar comigo. Um grande abraço


ana Maria Escobar

Muito boa sua colocação. Vou sugerir esta e outras leituras de sua colunas para outras pessoas, que como vc têm deficiência auditiva e não se abrem para novas e diferentes possibilidades! Parabéns!

CRIS BICUDO:
Obrigada Ana Maria. O que precisar, conte comigo! Um beijo


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