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Coluna - Cris Bicudo

A importância da acessibilidade

26/09/2014

Em 2011 eu trabalhei como Ouvidora no Gabinete de Mara Gabrilli, na Câmara Municipal de São Paulo. A partir desse momento passei a entender melhor o conceito “acessibilidade”, pois envolve muitas coisas e para todos tipos de deficiências.

Rampas ou elevador para deficiente físico, braile para cegos, legenda para deficiente auditivo, libras para surdo, cão-guia para cego ou baixa-visão, etc. E muitas outras necessidades tais como vagas para deficientes físicos, que servem somente para “físicos”, ou seja, aqueles que necessitam de grande espaço para se locomover ao entrar e sair do carro, com acessórios como cadeira de roda, andador, bengala, etc. Não vejo sentido algum no meu caso, sendo deficiente auditiva, pois não necessito de espaço para sair do carro. Por esse motivo que não tenho e nem sou a favor de estacionar nessas vagas especiais. Porém para idosos e grávidas, também considero importante, pois é só se colocar no lugar dessas pessoas, imaginem ao abrir a porta e espremer a barriga com seu bebê dentro?! Ou um idoso que não tem a agilidade de um jovem ou com problemas nas pernas devido à idade, sair com dificuldade num espaço pequeno?!

Sou a favor do termo “acessível” de acordo com as necessidades de cada pessoa. Hoje em dia, muitas vezes quando entro em algum restaurante, casa de amigos, escritório, empresas e até caminhando numa calçada cheia de buracos, me pego analisando e observando se é acessível, se tem algum obstáculo no caminho, sempre me colocando no lugar de uma pessoa com deficiência. Ouvi falar que nos EUA tem alguns teatros que oferecem fones de ouvidos individuais e adaptados para deficientes auditivos, e com um receptor que fica no palco, que possibilita ouvir as falas dos atores sem interferência de ruídos. Achei o máximo! Com um recurso desses, acredito que iria mais ao teatro.

Apesar de alguns lugares não serem acessíveis ou não terem recursos que possam auxiliar, eu utilizo muito jogo de cintura e “cabeça” para me virar. Um amigo me perguntou como faço para falar com o porteiro pelo interfone do prédio quando vou visitar alguém. Realmente, tenho dificuldade de entender o que o porteiro diz pelo interfone e respondi ao meu amigo: simples, quando vou visitar alguém, aperto o botão e já falo o meu nome, quem vou visitar e o número do apartamento dela. Caso o porteiro diga mais alguma coisa fora do “padrão”, explico novamente: “sou deficiente auditiva, não entendo o que diz por aqui, por favor, poderia abrir a janela ou vir ao meu encontro, assim fica mais fácil”. E assim, ele compreende a situação e me ajuda.

Assim como em aeroportos, nunca entendi o que era anunciado em altos falantes. Uma vez, estava sentada sozinha frente ao portão de embarque indo de São Paulo para Curitiba, percebi que que anunciaram pelos alto-falantes alguma coisa importante (consigo escutar sons graves que anunciam pelo aeroporto, só não consigo entender o conteúdo, ou seja, discriminar o que estava sendo dito) e notei várias pessoas próximas pegando suas malas de mão e saindo correndo. Sem perder tempo, perguntei a uma senhora que me pareceu simpática, o que tinha acontecido. Ela explicou que houve mudança de portões de embarque para Curitiba para o portão número “X”. Conferi com ela se o vôo era o mesmo e após a confirmação, fui atrás dela.

O fato de eu estar sempre atenta ao que acontecia a minha volta, me ajudou muito na hora de me virar sozinha. Acredito que no mundo existe muita gente boa e prestativa e além disso, por me colocar no lugar de outras pessoas sendo deficientes ou não deficientes, procuro entender quando é o outro que interpreta mal a situação ou não compreende. São nessas horas que procuro ajudá-los conversando ou mostrando.

Dou muito valor a uma boa comunicação, evitando dessa forma qualquer mal-entendido ou confusão, buscando dessa forma manter um bom relacionamento com todos. 

 


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